Mais que estantes: Biblioteca Juracy Magalhães Jr. celebra 58 anos transformando vidas no Rio Vermelho

Programação uniu música, debates históricos e relatos emocionantes para marcar quase seis décadas de atuação da unidade vinculada à Fundação Pedro Calmon.
O coração do Rio Vermelho pulsou cultura nesta quarta-feira (23). Muito além das prateleiras, a Biblioteca Juracy Magalhães Jr. comemorou seus 58 anos transformando-se em um palco de encontros. O equipamento gerido pela Fundação Pedro Calmon (FPC/SecultBA) celebrou a data reforçando o que sabe fazer de melhor: ser um ponto de conexão entre memória, arte e a comunidade local.
A prova viva desse impacto veio nas palavras de quem teve a própria trajetória reescrita pelo espaço. “Este foi um divisor de águas para que eu pudesse chegar a uma formação educacional. Minha vida se transformou através do estudo e da leitura”, disse Luiz Fernando de Jesus, morador do Nordeste de Amaralina. Hoje, graduado em Letras e pós-graduando em História da Bahia, ele fez questão de deixar seu reconhecimento: “A partir do acolhimento que sempre recebi aqui, pude vencer barreiras. Que ela possa continuar transformando vidas”.

Memória viva e ressignificação
A trilha sonora da manhã ficou por conta do Coral Sinfônico da Polícia Militar da Bahia, abrindo caminho para o bate-papo “Entre memórias e transformações: a Biblioteca e as histórias do Rio Vermelho”. O encontro reuniu o mestre em Literatura Santiago Gomez, a gestora de eventos Luciana Cruz, a historiadora Maria Renilda, a criadora de conteúdo Giovana Alvares e o historiador Casemiro. Juntos, eles resgataram o sentimento de pertencimento que liga os moradores ao bairro e à biblioteca.
O evento evidenciou que, em plena era digital, as bibliotecas se reinventaram como centros multiculturais vibrantes. Essa pluralidade ganhou forma na apresentação da musicista e arte-educadora Emillie Lapa, que misturou linguagens artísticas e animou o público.


Resistência e democratização
Para os gestores presentes, o marco de 58 anos vai muito além do calendário: é uma afirmação de resistência. Representando a FPC, o chefe de gabinete Caruso Costa enfatizou a capacidade de readaptação das bibliotecas públicas. “Numa sociedade em que a tecnologia avança a cada dia, o livro não ficou para trás. Nossas bibliotecas abraçam todas as linguagens. Acreditamos no impacto que a leitura tem na realidade das nossas crianças e jovens. Por isso, a FPC vem fortalecendo cada vez mais o poder do livro. É um motivo de orgulho ver o fortalecimento dessa Biblioteca. Por isso estamos aqui e vamos fortalecer sempre estes espaços.”, pontuou.


A diretora de Bibliotecas Públicas da Bahia, Ingrid Paixão, reforçou o papel social do equipamento. “Manter essas portas abertas há 58 anos é demonstrar resistência em favor do acesso democrático à informação. Toda vez que celebramos um aniversário como este, reivindicamos nosso direito de continuar acessando a cultura e a arte”, destacou.
A diretora da unidade, Elzimar Cerqueira, resumiu o espírito da festa. “É um dia muito especial para todos os funcionários desta casa. Só temos a agradecer a cada cidadão que faz, frequenta e vive esse espaço diariamente”.
A celebração dos 58 anos reforçou a trajetória da biblioteca como um espaço vivo, aberto ao diálogo e às transformações da sociedade, mantendo o livro, a leitura, a cultura e o acesso democrático à informação no centro de sua atuação — e reafirmando sua ligação afetiva e histórica com o Rio Vermelho.


Fotos: Lucas Rosário e Vanessa Andrade





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