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Com retomada turística Cairu já supera nº de empregos gerados em 2021


Com a retomada turística após as flexibilizações por conta pandemia da Covid-19, o destino de Cairu, no Baixo Sul da Bahia, inicia um retorno à normalidade. O número de empregos gerados em 2022 já supera os números de 2021. A volta da procura nacional por localidades como Boipeba e Morro de São Paulo tem movimentado a economia local.


Ao todo, 759 novos postos de trabalho com carteira assinada foram criados este ano no arquipélago, que possui pouco mais de 18 mil habitantes. O número representa um aumento de 7,5% no setor em relação a 2021, quando 702 postos de trabalho CLT foram gerados.


O período de isolamento social impactou o turismo na região, conforme explica a empresária Petrusca Mello, proprietária da Vista Bela Pousada, localizada na Rua da Primeira Praia, em Morro de São Paulo. "Fomos duramente afetados de março até setembro de 2020, pois ficamos sete meses sem faturamento. Tivemos um boom inicial [de turistas] logo em outubro e novembro, mas o fluxo ainda está instável".


Apesar do período difícil, Petrusca destaca que o município tem um potencial muito grande para atrair ainda mais visitantes. "Nosso turismo tem se mostrado como turismo de massa. O município tem investido em infraestrutura, mas temos déficit em logística como vias de circulação e atracadouros", pontuou.


"Morro de São Paulo foi eleita a quarta praia mais linda do mundo e esse ativo ambiental deve ser preservado. Então lutamos por isso".

Marcos Ché, dono do Restaurante Adega dos Frades, localizado na sede de Cairu. Foto: Natally Acioli/g1


Quem também sofreu com os impactos causados pela pandemia foi o empresário Marcos Ché. Ele é dono do Restaurante Adega dos Frades, localizado na sede de Cairu, e conta que, apesar de ter o estabelecimento há três anos, o local funcionou apenas por um ano e meio.


"Foi um período complicado, porque tivemos que manter os funcionários por um certo tempo, pagando [o salário] mesmo sem trabalhar. Também foi triste, pois tivemos que demitir muita gente. Sem falar na questão do lucro, não é? Não existia lucro, então tivemos uma perda muito grande e foi difícil se recompor", explicou Ché.


"Estamos na esperança de que o movimento volte a ser como antes, que os turistas venham para cá movimentar a economia local".


Outro setor impactado foi o do artesanato. A artesã Dilma Menezes disse que as vendas reduziram bastante durante os períodos mais difíceis da pandemia. "Os clientes ficaram com um poder aquisitivo baixo. Foi difícil, mas a gente tem força de vontade para persistir".

Artesã Dilma Menezes, em Cairu, no baixo sul da Bahia — Foto: Natally Acioli/g1


Arquipélago de encantos O município de Cairu pode ser facilmente chamado de arquipélago de encantos por causa das belezas naturais e da riqueza cultural. Não é à toa que ele entrou para a "categoria A" do Mapa do Turismo Brasileiro 2022, desenvolvido pelo Ministério do Turismo. Esta é a classificação máxima da lista que reúne somente as cidades com a melhor infraestrutura turística do país.


Apesar de ser mais conhecido pelos destinos de Morro de São Paulo e Boipeba, o arquipélago conta com outros atrativos turísticos como construções seculares, a exemplo da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário; praias com nomenclaturas indígenas e manifestações culturais de origens quilombolas; além de uma culinária saborosa.


A gestão municipal tem incentivado o turismo gastronômico e religioso na cidade, para que os turistas desfrutem de outras particularidades da cultura local, conforme explica o prefeito Hildécio Meireles. "A atividade turística mais forte daqui é a praia, mas temos uma história, uma tradição, uma cultura fabulosa. Temos grupos folclóricos, mantemos a tradição com a nossa filarmônica. Além disso, fomos o segundo povoamento do Brasil. A cidade de Cairu foi elevada à categoria de vila em 1589, somos uma das primeiras vilas do país".


"Atualmente somos o terceiro destino mais procurado do estado, mas eu quero mais. Temos a meta de tornar nosso arquipélago no lugar mais desejado da Bahia", complementou.


Igreja secular

Cairu, na Bahia — Foto: Natally Acioli/g1


Com o estilo arquitetônico neoclássico e construção de 1610, a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, localizada na sede de Cairu, é um dos monumentos históricos mais importantes do Brasil. Recentemente ela passou por uma restauração para conservar as esculturas, além de renovar a pintura.


"A gente fez a restauração do acervo de imagens que viria aqui para o memorial. É um acervo de imagens, esculturas e peças encontradas atrás do altar que estavam quebradas", explicou o restaurador Orlando Ramos.


Situada em uma elevação com vista para o braço de mar que banha a cidade, esta igreja tem formato de cruz e foi erguida no século 17, com o patrocínio do casal Domingos da Fonseca Saraiva e Antônia de Pádua de Góes, fundadores da antiga vila.

Memorial do Rosário, em Cairu, na Bahia — Foto: Natally Acioli/g1

Para a construção, foi utilizado calcário dolomítico – tipo de rocha – extraído da Ilha de Boipeba. No ano de 1977, a falta de cuidados com vazamentos provocou o apodrecimento de parte das madeiras do telhado, que desabou. O edifício passou por uma restauração em 2012, quando foi encontrada a imagem em terracota - argila cozida no forno - da santa que dá nome à igreja. Todos os anos, no mês de outubro, os moradores de Cairu celebram a festa de Nossa Senhora do Rosário.


No templo, é possível ter acesso ao Memorial do Rosário, um museu de arte sacra com peças do século 16, incluindo a primeira imagem padroeira da cidade, em material de terracota, achada no restauro de 2012.





Fonte: G1


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