Devoção a Santo Antônio valoriza Patrimônio Cultural no Pelourinho

June 14, 2019

A programação do CCPI, da SecultBA, chegou ao terceiro e último dia no Largo Quincas Berro D’Água

 

O Tríduo de Santo Antônio, devoção que celebra o ciclo junino com rezas para Santo Antônio em três dias, começou na terça e terminou na noite desta quinta-feira (13/06), data em que se celebra o dia oficial do santo casamenteiro. A programação no Centro Histórico - organizada pelo Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI), da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), passou ao longo destes três dias por espaços como o Palácio do Rio Branco e a  Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos.  

 

O diretor do CCPI, André Reis, destacou a importância de trabalhar, de forma diferenciada, a Reza de Santo Antônio, realizada com o Coro da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, que faz uma reza afro. “Conseguimos mesclar o clássico e o erudito com o popular, apresentando a Ópera Junina através do Núcleo de Ópera da Bahia, que faz os cânticos de Santo Antônio num formato lírico. O Núcleo é formado por solistas, sopranos, coro de vozes e pelo maestro Aldo Grizi, que veio especificamente da Itália para reger a Ópera”.

 

A celebração foi feita com o Santo Antônio da casa, e o Santo Antônio que corre as ruas. “Este Santo Antônio já foi para o Palácio Rio Branco no primeiro dia, no segundo dia para a Igreja do Rosário dos Pretos, e no terceiro dia, chegou ao Largo Quincas Berro D’Água, ou seja, há um verdadeiro caminho de valorização do Patrimônio histórico e cultural”, concluiu Reis.

 

Para o diretor, o Tríduo de Santo Antônio neste último dia, seguiu um roteiro interessante, fazendo o inverso dos outros dias. “Ao invés de começar com a Ópera, foi iniciado com a reza em nossa casa, no CCPI, e depois, os devotos saíram com o andor em procissão até o Largo Quincas Berro D’Água, onde ocorreram as apresentações da Ópera, quadrilha e encerramento do evento com o show de J. Velloso”.

Show de JVelloso

 

Repertório Especializado - O maestro italiano Aldo Grizi destaca que o Núcleo de Ópera da Bahia é “quase o único” especializado em ópera de raiz afro-americana. “Quase ninguém faz esse estilo e é um grupo reconhecido por isso, desenvolvendo o repertório de forma intensa e criativa. Essa é também uma forma de valorizar os cantores da Bahia. Aqui, não existe um Teatro de Ópera e, com essa iniciativa, os cantores estão sendo valorizados e reconhecidos, tendo, inclusive, a oportunidade de fazer apresentações fora do país e mostrar outra vocação e perfil do baiano”. 

Ópera Junina 

 

Grizi destacou ainda que a participação da Ópera Junina representa a possibilidade do NOP transformar, de modo sintético, todo repertório das músicas de Santo Antônio. “O público gosta deste modo de apresentar, em forma popular de música. É uma proposta nova e um desafio. Estamos felizes em participar e dar uma contribuição a essa terra de novidades da Bahia”, disse.

 

Anarriê – Antes do show, a animação tomou conta do Largo Quincas Berro d’Água com a apresentação da Quadrilha Cia da Ilha. Segundo o presidente da Companhia Junina da Ilha e dirigente de Educação do Município de Vera Cruz, Raimundo Pereira, o grupo é o resultado do projeto Festival de Quadrilhas Juninas das escolas municipais de Vera Cruz. A Cia, ressaltou, nasceu de uma atividade dentro de sala de aula, de Língua Portuguesa, quando ensinava a disciplina na Escola Municipal Dr. José Fernando, no distrito de Amoreiras, na cidade de Itaparica.

Quadrilha Cia da Ilha 

 

“O grupo surgiu de uma brincadeira de escola, com uma atividade de Língua Portuguesa, e foi crescendo. Hoje, completamos 20 anos. Essa atividade junina saiu dos quatro muros da escola, perpassou pela comunidade, foi para o município de Itaparica, e, agora, representa a Ilha de Itaparica”.

 

O projeto é apoiado pela Prefeitura Municipal de Vera Cruz e traz a integração entre jovens de 13 a 25 anos, totalizando 135 componentes, abrangendo dançarinos, personagens, diretorias artística e administrativa, produção e banda de músicos. Os alunos são dos municípios de Itaparica, Vera Cruz e Salvador. “Neste terceiro dia do evento, estamos apresentando o tema A Promessa, baseado no romance Os Maias e também numa personagem de novela da Rede Globo”.

 

Fé em Antônio – Um dos mais conhecidos devotos de Santo Antônio foi responsável por encerrar o evento, o cantor, compositor e produtor musical de música popular brasileira J. Velloso, que apresentou o show Noite do Glorioso.  “Que seria de mim meu Deus, sem a fé em Antônio...”, canta relembrando um dos sucessos em referência ao santo.

Triduo 

 

O artista nasceu em Santo Amaro da Purificação, terra natal de sua família, e ressaltou a alegria em participar da festa. “Estou contente em participar desta homenagem, deste festejo ao santo querido, popular Santo Antônio, que no sincretismo religioso é Ogum. Estamos juntos aqui, cantando e rezando, para pedir proteção para a nossa cultura popular, para a nossa liberdade, e viva Santo Antônio!”, comemora.

 

Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI) da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) é responsável pela execução, proteção e promoção das políticas públicas de valorização e fortalecimento das manifestações populares e de identidade, orientadas de acordo com o pensamento contemporâneo da Unesco e do Ministério da Cultura. Seu campo de atuação contempla a cultura do sertão, de matrizes africanas, ciganas e indígenas, LGBTQ+, infância e idosos. Coordena a programação artística dos largos do Pelourinho e suas grandes festas populares.

 

Fotos: Lucas Rosário

 

 

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